O ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União Brasil) anunciou nesta terça-feira (4) apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2022, que acontece no dia 30.
No Twitter, Moro escreveu que “Lula não é uma opção eleitoral, com seu governo marcado pela corrupção da democracia. Contra o projeto de poder do PT, declaro, no segundo turno, o apoio para Bolsonaro”.
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Moro foi o juiz federal que condenou e determinou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, em 2018, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).
Lula não é uma opção eleitoral, com seu governo marcado pela corrupção da democracia. Contra o projeto de poder do PT, declaro, no segundo turno, o apoio para Bolsonaro.
— Sergio Moro (@SF_Moro) October 4, 2022
O episódio ajudou Moro a ganhar notoriedade no país e o alçou ao cargo de ministro da Justiça quando Bolsonaro assumiu o governo, em 2019.
Mas Moro rompeu a relação com o governo em 2020, após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Na época, Moro se disse “surpreendido” e chamou a ação do presidente de “ofensiva”. “Esse último ato foi uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo”.
Ao sair do governo, Moro também revelou uma “insistência” de Bolsonaro em interferir diretamente na atuação da Polícia Federal. Segundo ele, o presidente pediu para substituir o diretor-geral da PF em busca de melhor interlocução e acesso a informações sobre atividades do órgão.
Em março de 2022, Moro tentou viabilizar sua candidatura à Presidência da República, ao trocar o Podemos pelo União Brasil. Mas o partido achou melhor seguir com Soraya Thronicke no pleito para o Planalto.
Moro, então, concorreu a uma vaga ao Senado pelo estado do Paraná. Ele foi eleito no último domingo (2) com 33,5% dos votos válidos, ou 1.953.188 votos.
Bolsonaro elogia decisão
Em entrevista a jornalistas em Brasília, nesta terça-feira, Bolsonaro disse que conversou com Moro ao telefone e que tem certeza que ele “será um grande senador”.
“Olha só, todos nós evoluímos. Eu mesmo errei no passado em alguns pontos e a gente evolui para o bem do nosso Brasil”, disse o presidente.
“O Cláudio Castro [governador reeleito no RJ] mesmo já interferiu em algum momento conversando como devia me reposicionar em algum momento. Então erramos, pedimos desculpas”, completou Bolsonaro.
Sobre Moro, o presidente disse que está tudo “superado”. “E daqui para frente é um novo relacionamento. Ele pensa, obviamente, no Brasil, e quer fazer um bom trabalho para o seu país e para o seu estado.”
A campanha de Bolsonaro, segundo cientistas políticos, deve adotar um tom mais ameno no segundo turno, com o presidente “menos explosivo” em declarações públicas, para tentar convencer novos eleitores.