Eleições 2026: Mercado coloca disputa ‘no preço’ um ano e meio antes do costumeiro

Tradicionalmente, eleições presidenciais impactam mercado financeiro em maio do ano do pleito, aponta executivo da Anbima

Maeli Prado

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa, no Palácio do Planalto, em Brasília
30/01/2025
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa, no Palácio do Planalto, em Brasília 30/01/2025 REUTERS/Adriano Machado

Publicidade

A quase um ano e meio das eleições presidenciais no Brasil, o efeito que a queda de popularidade do governo Lula pode ter sobre o pleito e sobre a política econômica já está sendo precificado pelo mercado financeiro.

É uma antecipação e tanto, já que, tradicionalmente, esse efeito só é visto cinco meses antes do pleito, apontou David Becker, executivo da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

“Historicamente, em ciclos anteriores, as eleições faziam preço em maio do ano eleitoral. Mas é obvio que neste ano as pesquisas de popularidade já estão impactando os preços”, comentou o executivo durante almoço da entidade com jornalistas. “Mas está muito distante ainda, muita coisa pode acontecer. É muito difícil operar eleições neste momento”, completou ele, que também é chefe de economia e estratégia do Bank of America.

Ele explicou que a discussão do mercado é sobre qual política econômica será implementada pelo próximo governo. “Como o ciclo econômico pode afetar a política fiscal no curto ou médio prazo, usa-se o político para pensar a condução da polítca econômica”, explicou.

De acordo com ele, os investidores lá fora exageraram no pessimismo em relação aos mercados emergentes, incluindo o Brasil, e isso vem sendo corrigido com a recuperação da Bolsa e queda do dólar neste ano.

“2024 foi um ano bom para a economia e ruim para mercados. Neste ano, teremos uma economia desacelerando e um ano melhor para os preços”, resumiu.

Continua depois da publicidade

Seca de IPOs

Durante o almoço com jornalistas, o presidente da Anbima, Carlos André, afirmou que 2025 será, a princípio, novamente caracterizado pela ausência de IPOs. Isso por causa da taxa básica de juros elevada – a projeção do mercado é que a Selic finalizará o ano em 15% ao ano.

Esse cenário pode mudar caso haja melhora no mercado de ações precipitada pela percepção de estrangeiros sobre o Brasil, já que a Bolsa está bastante desvalorizada.

“O gatilho [para novos IPOs] pode ser melhora no mercado de ações, principalmente por investidores estrangeiros, de que há oportunidade de preço”, afirmou André.