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O presidente do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a nova estratégia de comunicação do governo “está acabando” com a imagem do petista.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, Nogueira culpou o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, pelo aumento da exposição de Lula, que, segundo ele, tem agravado a baixa popularidade do presidente.
A crítica ocorre após a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (26), apontar que a desaprovação de Lula ultrapassou 60%. Para o senador, a solução para o governo melhorar sua imagem exigiria uma reformulação profunda, mas ele considera que isso ocorra.
Mesmo tendo um representante do PP na Esplanada – o ministro do Esporte, André Fufuca –, Nogueira sugeriu que o partido pode romper com o Planalto caso não haja uma mudança de rumo na administração petista.
“Se o governo não tiver uma mudança radical agora, não tem como nem a gente, daqui a pouco, permitir que os membros do partido participem desse governo”, declarou o ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.
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O senador também afirmou que sempre foi contra a entrada do PP na base governista, apesar de ter pressionado Lula para substituir a ex-ministra Ana Moser e nomear um aliado para o Ministério do Esporte.
“Foi um erro. É um governo completamente ultrapassado, com o presidente isolado, sem vontade de tomar as decisões que o país precisa”, afirmou.
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Bolsonaro e a trama golpista
Ciro Nogueira também foi questionado sobre a suposta trama golpista investigada pela Polícia Federal e que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador, que foi citado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid como parte do núcleo que discutia o resultado das eleições de 2022, negou envolvimento e disse que defendia o respeito à vontade popular.
“Fui quem convenceu o presidente a iniciar a transição. Mas acho impossível que um ministro que estivesse com o presidente todos os dias não visse um movimento de golpe”, afirmou.
Ele também disse não saber se Mauro Cid mentiu em seus depoimentos à Polícia Federal, mas revelou que sempre foi contra sua nomeação no governo Bolsonaro.
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“Ele levava muita coisa errada para o presidente. Bolsonaro estava fazendo uma live e ele entregou um papel [dizendo] que a vacina [contra a Covid] poderia desencadear HIV. Eu queria comer o fígado dele”, contou.
Sobre uma possível prisão do ex-presidente, Nogueira afirmou que não há provas concretas contra Bolsonaro e que um julgamento justo não resultaria em condenação.
“Se ele tiver um julgamento justo, não tem como prender por isso. E seria muito ruim para o Brasil se isso acontecesse. As pessoas com quem eu conversei sobre a denúncia [afirmam que] é muito de achismo, de delação e que não tem nenhuma prova contra. Ele é inocente nesse caso”, declarou.
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O senador também questionou por que os comandantes das Forças Armadas não denunciaram um suposto plano golpista desde o início.
“É muito engraçado eles agora vindo com esse tipo de coisa. Eles tinham que ter pedido demissão ou ter denunciado. É a palavra de um contra o outro. E eu acredito mais na palavra do presidente. E vai ser um absurdo se Bolsonaro não for julgado no pleno [do Supremo]. Aí não é um julgamento justo”, criticou.
Por fim, Nogueira minimizou as investigações envolvendo Bolsonaro sobre fraude no cartão de vacinação e venda de joias recebidas pelo governo.
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“Pelo amor de Deus, vamos virar essa página. Ninguém aguenta mais a mídia com esse discurso para tentar tirar o foco dos problemas do país. Me desculpe, eu não vou mais falar sobre isso”, concluiu.