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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou o registro de oferta pública de aquisição (OPA) da Cielo (CIEL3) e, desta forma, deu sinal verde para o fechamento de capital da empresa. O que isso significa e como ficam os acionistas da companhia?
A OPA é realizada quando uma empresa da Bolsa decide deixar de negociar suas ações. Na prática, trata-se da venda dos papéis dos sócios minoritários para os acionistas que detêm as maiores participações, ou para um grupo controlador.
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No caso da Cielo, a definição do preço inicial da oferta enfrentou resistência dos minoritários e acabou sendo fixado em R$ 5,60 mais a correção pela taxa do CDI até o dia da operação. Hoje, os papéis da empresa estão sendo negociados por R$ 5,70 na Bolsa.
Diante destes valores, vale a pena manter a ação na carteira até a deslistagem da Cielo? Especialistas ouvidos pelo InfoMoney respondem a esta e a outras perguntas sobre a operação.
- Por que as empresas optam pela OPA?
- O investidor é obrigado a vender suas ações?
- Investir antes da Opa pode ser uma oportunidade?
- Meu preço médio é maior do que o valor da Opa, e agora?
- Quais os próximos passos da operação?
- A opção pela OPA da Cielo foi acertada?
Por que as empresas optam pela OPA?
As razões que levam uma empresa a fechar o seu capital podem ser diversas. Normalmente, as situações em que ocorrem OPAs estão relacionadas a algum dos aspectos a seguir:
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- Preço baixo das ações
- Arbitragem de custo de capital
- Boas perspectivas para a operação
- Baixa necessidade de fontes externas
O investidor é obrigado a vender suas ações?
O investidor não é obrigado a vender suas ações, afirma Luís Nuin, analista de investimentos. O especialista pondera que, como a grande maioria dos acionistas vai participar da OPA, é recomendável que todos os detentores de ações também o façam.
“As ações [que não forem vendidas] passariam a ser negociadas com baixíssima ou até nenhuma liquidez”, alerta. “Por essa razão, é altamente aconselhável que a totalidade dos investidores participe da OPA”, observa.
Investir antes da Opa pode ser uma oportunidade?
Em recente relatório, Fabiano Vaz, da Nord Investimentos, sugere cautela neste tipo de operação – inclusive para quem já tinha o papel da companhia na carteira.
“A OPA deve ser finalizada em meados de agosto”, lembra. “Sendo assim, sugerimos que as posições em Cielo sejam desmontadas de forma gradual e próxima ao valor ofertado de R$ 5,60”, recomenda.
Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos, vai na mesma linha. “Entendemos que é mais vantajoso e menos volátil alocar em instrumentos de renda fixa CDI+”, sugeriu em relatório sobre a empresa.
Meu preço médio é maior do que o valor da Opa, e agora?
“Se seu preço médio é superior ao valor que foi ofertado, infelizmente, não há muito o que ser feito”, lamenta Nuin. “Como dito acima, suas ações não serão mais negociadas e, portanto, o acionista com preço médio superior à OPA irá amargar o prejuízo”, reforça.
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Quais os próximos passos da operação?
Após o aval da CVM, os controladores da Cielo terão dez dias para a entrega dos documentos da operação, conforme a linha do tempo traçada pela Genial Investimentos:
5 de fevereiro – OPA é proposta por Bradesco, BB e Elopar2 de abril – Assembleia para deliberação sobre novo laudo é suspensa23 de abril – Assembleia é retomada, novo laudo é rejeitado e processo segueFim de junho/começo de julho* – CVM tem 60 dias para análise da proposta- Julho* – Controladores tem 10 dias para entrega de documentos após análise
- Fim de julho/meados de agosto* – Realização de leilão (que deve ser convocado com 30 dias de antecedência).
*datas estimadas pela Genial de acordo com os prazos previstos na regulamentação da CVM
A opção pela OPA da Cielo foi acertada?
Para Nuin, a Cielo “nadou de braçada” por alguns anos com pouca concorrência e sem a presença de novas tecnologias. No entanto, o setor de atuação da companhia mudou demais nos últimos anos e derrubou a cotação da empresa – que chegou a valer R$ 30 por ação em meados de 2015.
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“Os intervalos de preço resumem um pouco a trajetória da empresa nos últimos 15 anos em que esteve listada”, reflete o especialista em investimentos. “Com o capital fechado, a Cielo deixa de ter pressão dos investidores por rentabilidade e pode ter tempo para mudar seus rumos”, finaliza.