Tesla já lucra US$ 1,3 bilhão com Bitcoin comprado em fevereiro

Empresa de Elon Musk não vendeu ou comprou mais Bitcoin no terceiro trimestre de 2021

Paulo Barros

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – A nova máxima histórica do Bitcoin (BTC) já faz a Tesla (TSLA) atingir um lucro não realizado de US$ 1,3 bilhão referente à compra efetuada em fevereiro deste ano, quando a fabricante de carros elétricos adquiriu US$ 1,5 bilhão em unidades da criptomoeda a um preço médio estimado de cerca de US$ 30 mil.

O balanço do terceiro trimestre aponta que a empresa não voltou a comprar Bitcoin ou vender suas posses para lucrar com a alta. A única vez em que isso ocorreu foi em março, quando a companhia se desfez de uma parcela de suas reservas em BTC e embolsou US$ 272 milhões.

O valor em Bitcoin detido pela Tesla, segundo o preço inicial de compra, passou então de US$ 1,5 bilhão para US$ 1,31 bilhão. Já no terceiro trimestre, o valor caiu para US$ 1,26 bilhão, mas não por conta de uma nova liquidação.

A diferença desta vez decorre da desvalorização do Bitcoin no período anterior. Pelas regras de contabilidade de ativos digitais, a empresa chefiada por Elon Musk é obrigada a informar as perdas provenientes de quedas de preço mesmo que não realize a venda do ativo. Por outro lado, não pode incluir eventual aumento no valor no mercado.

Dessa forma, mesmo que o Bitcoin tenha mais que dobrado de preço desde o começo do ano, o relatório desconsidera esse número e apenas aponta um débito de US$ 51 milhões pela depreciação do Bitcoin entre o segundo e o terceiro trimestres.

Os balanços da Tesla não revelam a quantidade exata de bitcoins adquiridos pela companhia. Segundo o monitor independente BitcoinTreasuries, a fabricante teria 43.200 BTC guardados em caixa, o que resultaria em cerca de US$ 2,85 bilhões com a criptomoeda a preços atuais.

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Apesar do lucro com a segunda maior reserva em Bitcoin entre as empresas de capital aberto, atrás apenas da MicroStrategy, que tem 114.041 BTC (US$ 7,5 bilhões), as ações da Tesla registraram queda de 0,2% para US$ 864,22 nas negociações após o expediente na quarta-feira (20).

O motivo foi a expectativa frustrada de investidores com as receitas da empresa no trimestre, que ficaram em US$ 13,76 bilhões ante projeções de US$ 14 bilhões.

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Paulo Barros

Jornalista pela Universidade da Amazônia, com especialização em Comunicação Digital pela ECA-USP. Tem trabalhos publicados em veículos brasileiros, como CNN Brasil, e internacionais, como CoinDesk. No InfoMoney, é editor com foco em investimentos e criptomoedas