FBI acusa Coreia do Norte de orquestrar ataque hacker de US$ 1,5 bi em criptomoedas

Segundo autoridades dos EUA, os grupos TraderTraitor e Lazarus Group, ligados ao regime de Pyongyang, realizaram o ataque à corretora Bybit na semana passada

Paulo Barros

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O FBI acusou hackers ligados ao governo da Coreia do Norte de estarem por trás do roubo de quase US$ 1,5 bilhão em criptomoedas da corretora Bybit, na semana passada. O ataque, considerado o maior já registrado no setor, teria sido conduzido por grupos cibernéticos identificados como TraderTraitor e Lazarus Group, segundo o governo dos Estados Unidos.

De acordo com o FBI, os criminosos já começaram a converter parte dos fundos roubados para Bitcoin (BTC) e outros ativos digitais, dispersando-os por milhares de carteiras em diferentes redes blockchain. A expectativa é que os valores sejam lavados antes de serem trocados por dinheiro.

O envolvimento do Lazarus Group no ataque hacker, vale lembrar, já havia sido apontado por um analista horas após o incidente.

O roubo da Bybit gerou preocupações entre investidores e reguladores, contribuindo para a recente volatilidade dos preços das criptomoedas. O Bitcoin, que vinha sendo impulsionado pela eleição do presidente dos EUA, Donald Trump, caiu para US$ 82 mil na quarta-feira (26). Pouco antes das 10h nesta quinta (27), é negociado por cerca de US$ 86.400.

A Bybit confirmou que o ataque envolveu a manipulação de uma transação de Ethereum (ETH) de uma  carteira fria (cold wallet, um armazenamento offline de criptomoedas). O hacker conseguiu desviar os fundos para um endereço não identificado ao explorar vulnerabilidades em um processo conhecido como “blind signing”.

A empresa está oferecendo uma recompensa de US$ 140 milhões para rastrear os fundos roubados e bloqueá-los em outras corretoras.

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Financiamento nuclear de Pyongyang

Autoridades de segurança cibernética apontam há anos que ataques como esse têm sido usados para financiar o programa nuclear norte-coreano. Segundo a Associated Press, estimativas da inteligência sul-coreana indicam que o regime de Pyongyang já desviou cerca de US$ 1,2 bilhão em criptomoedas e outros ativos virtuais nos últimos cinco anos.

Entre 2017 e 2023, uma investigação da ONU identificou 58 ataques atribuídos à Coreia do Norte, com um total estimado de US$ 3 bilhões roubados. Segundo o relatório, esses valores teriam sido utilizados para o desenvolvimento de armas de destruição em massa.

Paulo Barros

Jornalista pela Universidade da Amazônia, com especialização em Comunicação Digital pela ECA-USP. Tem trabalhos publicados em veículos brasileiros, como CNN Brasil, e internacionais, como CoinDesk. No InfoMoney, é editor com foco em investimentos e criptomoedas