Embraer mais que triplica lucro, tem “tripla batida” de projeções e ação sobe após 4T

Receita, margens e fluxo de caixa livre superaram projeções do mercado

Lara Rizério

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Mais um catalisador para as ações da Embraer (EMBR3). Assim foi encarado o resultado do quarto trimestre de 2024 (4T24) da fabricante de jatos que, conforme apontou o JPMorgan, bateu as projeções do mercado em receita, margens e fluxo de caixa livre (FCF), o que teve suscitar uma reavaliação contínua dos ativos.

Isso se reflete no desempenho da ação EMBR3 após o 4T, com os ativos subindo 2,99% (R$ 63,29) às 10h59 (horário de Brasília) desta quinta-feira (27).

A Embraer teve lucro líquido ajustado de R$ 1,093 bilhão no quarto trimestre de 2024, mais do que triplicando a cifra de R$ 250,6 milhões reportada em igual intervalo de 2023.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado da companhia somou R$ 1,947 bilhão entre outubro e dezembro, 56,6% maior do que o registrado um ano antes. As receitas líquidas, por sua vez, atingiram R$ 13,743 bilhões, alta de 41,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2023.

O JPMorgan ressalta que o Ebitda ajustado ficou 25% acima da sua projeção e 25% além da expectativa de mercado.

Os principais pontos positivos foram: i) a receita em alta de 17% anualmente em dólares, atingindo US$ 2,3 bilhões (+7% versus a projeção do JPM); ii) a margem Ebit da aviação comercial em 8,5%, o melhor nível trimestral desde o 2T18, com a margem Ebitda ajustada atingindo 14,2% (+2,1 pontos percentuais versus o consenso do mercado e projeção do JP); iii) o FCF estava em US$ 1,0 bilhão e US$ 676 milhões no ano fiscal (rendimento de 8,5%), resultando em uma relação dívida líquida/Ebitda de 0,1 vez.

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Já entre os pontos negativos, o JPMorgan ressalta: i) lucro líquido em US$ 46 milhões versus projeção do banco US$ 155 milhões; ii) os resultados financeiros líquidos em -US$ 103 milhões versus projeção do JPM em -US$ 24 milhões e valor de -US$ 25 milhões no 3T24; e iii) a taxa de imposto efetiva estava em 77,5% versus média dos primeiros nove meses do ano em 12%.

Ponderando os prós e contras do balanço, o JPMorgan já esperava uma reação positiva na sessão de negociação de hoje devido à “superação tripla” das expectativas e reitera recomendação equivalente à compra para os ativos.

O Goldman Sachs, que também possui compra para os ativos, ressalta também o Ebitda e a sua margem acima do consenso.

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Enquanto isso, a empresa entregou 75 jatos no trimestre, incluindo 31 aeronaves comerciais (+6 ano a ano) e 44 jatos executivos (-5% ano a ano). A margem EBIT na Executiva é de 10% e na Defesa é de 18%, enquanto a Comercial melhorou para 9%. “O caixa livre é sazonalmente forte no trimestre e acima do consenso. A empresa também forneceu orientação inicial para 2025 que inclui o consenso para receita e está ligeiramente abaixo nas margens”, avalia o banco americano. Já a receita ficou 7% acima da sua expectativa.

O Itaú BBA, por sua vez, destacou os resultados como fortes, mas ressaltou o guidance divulgado como conservador. A Embraer compartilhou sua i) orientação de receita: US$ 7-7,5 bilhões (contra estimativa de US$ 7,3 bilhões); ii) margem Ebit ajustada: 7,5%-8,3% (abaixo de sua previsão de 9%); e iii) geração de fluxo de caixa: US$ 200 milhões ou mais (comparado à sua previsão de US$ 252 milhões).

“No geral, vemos o guidance da empresa como potencialmente conservador para 2025, especialmente considerando os números vistos no 4T24, e acreditamos que isso pode trazer alguma volatilidade para as ações no curto prazo”, ponderou.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.