Dominância fiscal em pauta: BC refuta tese de ineficácia da alta da Selic, diz Valor

Copom (Comitê de Política Monetária) não tem dúvidas sobre a eficácia da alta de juros, informa o jornal

Publicidade

SÃO PAULO – A tese de dominância fiscal vem ganhando forças no mercado. O último a aderir a tese foi o banco Barclays, que afirmou em relatório que o Brasil já sofre deste mal e que a ação do Banco Central está comprometida, avaliando que a autoridade monetária deve manter a Selic este ano ou optar, no máximo, por “aumentos simbólicos”. Porém, segundo informa o jornal Valor Econômico, o BC rejeita a tese de ineficácia da Selic.

Entende-se por dominância fiscal, o momento em que a situação fiscal do governo, sobretudo da dívida pública, é tão grave que impões limites e praticamente neutraliza a ação da política monetária para controlar a inflação. E nesse aspecto, o choque de juros promovido no período recente pelo Banco Central perde eficácia para convergi-la até a meta, ou seja, são necessárias taxas de juros cada vez maiores para controlá-la, e que por outro lado jogam a economia em uma paralisação ainda maior: seria como apagar um incêndio com gasolina. 

Porém, o Copom (Comitê de Política Monetária) não tem dúvidas sobre a eficácia da alta de juros, informa o jornal, destacando que os integrantes do Comitê já estiveram mais divididos sobre a necessidade de subir a Selic (mas o instrumento em questão nunca foi uma questão). 

Continua depois da publicidade

Essa visão parece ser corroborada pela maior parte dos economistas consultados pelo Focus, já que as expectativas para a Selic dão o aperto monetário como provável e sustentável. 

Em dezembro, o diretor de política econômica Altamir Lopes avisou durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação que os juros subiriam se necessário, mas ponderou que “quando e se” isso poderia ocorrer era uma decisão a ser tomada pelo Copom. Já Alexandre Tombini, presidente do BC, disse em discurso na Febraban no mesmo mês que não vê o Brasil em dominância fiscal. 

“O BC não é insensível à atividade econômica, mas o Comitê já havia sido flexível, ao alongar o prazo de convergência da inflação à meta de 2016 para 2017, justamente para suavizar a queda da economia. Ao mesmo tempo, o compromisso do BC em cumprir a meta foi redobrado, como mandam os manuais”, destaca a matéria. Por outro lado, os efeitos da alta da Selic sobre a economia é um ponto de debate dentro do BC, uma vez que o modelo da autoridade monetária aponta que, para cada alta de um ponto na taxa de juros, há uma redução de meio ponto percentual no crescimento da economia. 

Baixe agora a Carteira InfoMoney 2016! Basta deixar o seu email abaixo:

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.