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Com big techs “caras” e investidores de olho no Fed, small caps voltam aos holofotes

Expectativa de corte em breve de juros nos EUA ajuda companhias de menor capitalização a se valorizarem

Vitor Azevedo

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As big techs, mais especificamente o grupo chamado “magnificent seven”, tiveram um 2024, até agora, marcante. O ganho de força — e as perspectivas — da inteligência artificial impulsionaram as ações de empresas como Nvidia (NVDC34), Apple (AAPL34) e Microsoft (MSFT34). Agora, porém, o gás parece ter minguado e investidores estão buscando companhias menores com uma relação entre lucro e preço mais em conta. 

O que ilustra bem esse movimento é o fato de em julho o S&P 500, que tem peso maior das empresas de tecnologia, ter até agora uma alta de cerca de 2%. O Russell 2000, índice que conglomera as “small caps” norte-americanas, por sua vez, sobe quase 10%.

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Werner Roger, fundador e CIO da Trígono Capital, fundo especializado nessas empresas menores, explica que com os valuations das big techs ficando muito esticados, investidores passaram a procurar novas opções. As ações da Nvidia, por exemplo, operam ainda hoje a um múltiplo de P/E (preço do papel sobre lucro) de mais de 70x. Para fins de comparação, o Russell 2000 tem um múltiplo de 28,7x. 

Fora isso, triggers como o “apagão tecnológico” visto na última sexta também ajudam a explicar a rotação das carteiras. “Houve a percepção de que estar muito exposto à tecnologia traz riscos talvez até desconhecidos”, fala Roger. 

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Por fim, a visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) irá cortar juros também passou a ajudar as small caps. “Elas dependem mais de crescimento e quanto menor a taxa de juros, maior o valor presente”, reforça, mencionado a chamada taxa de desconto. 

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“Acho que, caso realmente o Fed venha a cortar os juros agora em setembro, os estrangeiros vão buscar mais risco. Eles já começaram a se antecipar lá no próprio mercado norte americano nas small caps, mas depois eles tendem a vir para os mercados emergentes. Apesar de o mercado ainda estar dividido se o corte sai ou não em setembro, uma hora ou outra vai acontecer”, diz.

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Small caps brasileiras também se destacam

No Brasil, as small caps também vêm, em julho, tendo performance melhor do que as companhias maiores. O índice dessas empresas, até o meio dia desta terça-feira (23), sobe 4,42% no mês, enquanto o Ibovespa avança 2,64%. 

E para os especialistas, o fato de boa parte das ações menores do país estarem muito descontadas também deve beneficiar a rotação para as small caps locais. 

“Acreditamos que o que vemos lá fora que também possa acontecer no Brasil. O índice de small caps, apesar da performance em julho, está muito atrás do Ibovespa no ano. Ele cai 11% em 2024 enquanto o Ibovespa caiu cerca de 4%”, acrescenta Max Bohm, estrategista de ações da Nomos. “A gente acredita que também deveremos ver essa rotação de portfólio do Ibovespa para as small caps no Brasil”.

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Usando um intervalo de tempo maior, nas últimas 52 semanas enquanto o Ibovespa sobe 4,6% o SMLL cai quase 10%.

Dessa forma, tanto investidores estrangeiros quanto locais, em determinado momento, devem olhar para essas companhias pequenas. 

“No Brasil, estamos testemunhando uma melhora nos juros e um cenário de maior compromisso fiscal, embora ainda haja incertezas. Este novo panorama está beneficiando principalmente ativos que estavam excessivamente descontados devido ao cenário macroeconômico e interno de juros elevados”, explica Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

No caso de o Banco Central brasileiro ganhar mais espaço para cortar juros, o esperado é que as empresas locais se beneficiem ainda mais da rotação de carteira. Hoje, investidores vêm mantendo posições em companhias mais consolidadas e cujas as ações oferecem maior liquidez.