O que é a Ordem dos Economistas do Brasil e por que premiação a Milei gerou polêmica

Demais entidades de classe criticaram publicamente a OEB, afirmando não haver legitimidade para realizar premiações como a que foi concedida ao presidente argentino

Paulo Barros

(Foto: Divulgação/
Oficina del Presidente de Argentina)
(Foto: Divulgação/ Oficina del Presidente de Argentina)

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A escolha do presidente da Argentina, Javier Milei, como “Economista do Ano” pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) gerou reações divergentes no meio acadêmico e econômico brasileiro.

Enquanto a entidade defende sua decisão como técnica e independente, outros órgãos, como o Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), questionam a legitimidade da premiação e os critérios adotados pela OEB.

Entenda a seguir o que é a OEB, o que dizem as demais entidades da classe e por que a premiação a Milei gerou polêmica.

O que é a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB)?

A OEB é uma entidade civil que tem como objetivo valorizar a profissão de economista e promover discussões sobre a ciência econômica no Brasil. Fundada há mais de 90 anos, a organização não tem atribuição regulamentadora ou fiscalizatória da profissão de economista no país, função que cabe ao Cofecon e aos Conselhos Regionais de Economia, conforme estabelecido pela Lei 1.411/1951.

O Prêmio “Economista do Ano”, promovido pela OEB desde 1957, busca reconhecer profissionais que tenham se destacado na economia nacional e internacional. Entre os laureados de anos anteriores estão nomes como Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES.

Por que a escolha de Milei gerou críticas?

A decisão de conceder o título a Javier Milei foi alvo de dura crítica do Cofecon e do Corecon-SP. As entidades alegam que a OEB não representa oficialmente os economistas brasileiros e que sua liderança enfrenta questões internas de credibilidade, incluindo um processo disciplinar que suspendeu o registro de economista do presidente da OEB, Manuel Enríquez Garcia.

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Outro ponto levantado é que Milei, apesar de ter formação em economia, exerce atualmente um cargo político, o que afastaria sua atuação das condições normalmente exigidas para o prêmio. O Cofecon destacou ainda que Milei está envolvido em um escândalo financeiro recente, relacionado à promoção da criptomoeda Libra, que teria resultado em prejuízos para milhares de investidores.

O Corecon-SP também criticou o fato de que a OEB é uma organização privada com poucos associados ativos, não representando oficialmente a classe dos economistas. Segundo a entidade, a OEB não possui respaldo legal para falar em nome da categoria ou conceder prêmios que impliquem representação da classe econômica brasileira.

Defesa da OEB

Em resposta, a OEB afirmou que sua decisão foi baseada em critérios técnicos e que sua independência deve ser respeitada. A entidade acusou o Corecon-SP de tentar interferir politicamente na premiação e reafirmou que a escolha de Milei teve grande repercussão positiva tanto no Brasil quanto internacionalmente.

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A OEB também ressaltou que o prêmio foi concedido a Milei por sua atuação nas políticas monetária e regulatória da Argentina, destacando a queda da inflação no país e a obtenção de superávits fiscais como fatores que justificam o reconhecimento.

Paulo Barros

Jornalista pela Universidade da Amazônia, com especialização em Comunicação Digital pela ECA-USP. Tem trabalhos publicados em veículos brasileiros, como CNN Brasil, e internacionais, como CoinDesk. No InfoMoney, é editor com foco em investimentos e criptomoedas