Deflação do IGP-DI chega a 0,40% e volta a perder força em julho

O indicador acumula variação de -5,35% no ano e de -7,47% em 12 meses; projeção de analistas era de uma deflação de 1,91% no mês

Roberto de Lira

Preços ao produtor de itens como grãos e minérios, puxaram a queda em fevereiro
Preços ao produtor de itens como grãos e minérios, puxaram a queda em fevereiro

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O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve nova deflação em julho, de 0,40% ante junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela Fundação Getúlio Vagas (FGV). Com este resultado, o índice acumula variação de -5,35% no ano e de -7,47% em 12 meses. Em julho de 2022, o índice havia caído 0,38%, mas ainda e acumulava elevação de 9,13 em 12 meses.

A deflação divulgada pela FGV em julho foi menos intensa que a esperada pelos analistas de mercado, que estimavam queda de 1,91% na leitura mensal.

Esse foi o quinto mês seguido de queda no indicador, tendência, no entanto, que vem perdendo força, uma vez que a deflação de maio foi de 2,33% e a de junho chegou a 1,45%.

Viva do lucro de grandes empresas

Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, commodities de peso, que por vários meses registraram queda em seus preços, apresentaram reversão desse processo e registraram aumentos, reduzindo o ritmo de queda do IPA e sua influência sobre o IGP.

Estas commodities ficaram entre as maiores influências positivas do índice ao produtor, com destaque par a soja (de -3,61% para 3,82%), o minério de ferro (de -2,19% para 1,95%) e bovinos (de -5,70% para 1,71%).

IPA

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 0,61% em julho, ante queda de 2,13% no mês anterior. Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais variou de -1,05% em junho para -1,11% em julho.

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A principal responsável pela desaceleração da taxa foi o subgrupo alimentos in natura, cuja variação passou de -0,15% para -3,07%. O índice de Bens Finais (ex), que exclui alimentos in natura e combustíveis para o consumo, caiu 0,42% em julho, após variar -0,46% em junho.

A taxa do grupo Bens Intermediários passou de -1,73% em junho para -0,60% em julho. O principal responsável pela queda menos intensa foi o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, cuja taxa passou de -5,28% para 1,24%.

O índice de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão de combustíveis e lubrificantes para a produção, caiu 0,88% em julho, ante queda de 1,16%, no mês anterior.

O estágio das Matérias-Primas Brutas caiu 0,08% em julho, contra queda de 3,71% em junho. Contribuíram para este movimento os itens: soja em grão (-3,61% para 3,82%), minério de ferro (-2,19% para 1,95%) e bovinos (-5,70% para 1,71%).

Em sentido oposto, vale citar os seguintes itens: mandioca/aipim (-2,80% para -7,48%), cana-de-açúcar (0,97% para 0,06%) e café em grão (-8,65% para -11,26%).

IPC

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,07% em julho, ante queda de 0,10% em junho. Quatro das oito classes de despesa que compõem o índice registraram acréscimo em suas taxas de variação: Transportes (-1,14% para 1,07%), Educação, Leitura e Recreação (0,87% para 1,33%), Despesas Diversas (0,12% para 0,48%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,19% para 0,25%).

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As principais contribuições para este movimento partiram dos itens: gasolina (-0,29% para 4,08%), passagem aérea (4,77% para 6,20%), serviços bancários (0,00% para 0,63%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (-0,39% para -0,04%).

Em contrapartida, os grupos Habitação (0,23% para -1,06%), Vestuário (0,50% para -0,33%) e Comunicação (0,14% para 0,04%) apresentaram decréscimo em suas taxas de variação.

Nessas classes de despesa, as maiores influências partiram dos itens: tarifa de eletricidade residencial (1,20% para -4,64%), roupas (0,57% para -0,40%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (0,10% para -0,03%).

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O grupo Alimentação repetiu a taxa de variação apurada no mês anterior, que foi de -0,36%. As principais influências partiram dos itens: frutas (-2,77% para 1,61%), em sentido ascendente, e aves e ovos (-1,13% para -3,41%), em sentido descendente.

Núcleo e difusão

O núcleo do IPC registrou taxa de 0,22% em julho, ante 0,16% no mês anterior. Dos 85 itens componentes do IPC, 29 foram excluídos do cálculo do núcleo. Destes, 18 apresentaram taxas abaixo de -0,23%, linha de corte inferior, e 11 registraram variações acima de 0,60%, linha de corte superior.

O índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 53,55%, 0,32 ponto percentual abaixo do registrado em junho, quando o índice foi de 53,87%.

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INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,10% em julho, ante 0,71% no mês anterior. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de junho para julho: Materiais e Equipamentos (-0,09% para -0,28%), Serviços (0,27% para 0,85%) e Mão de Obra (1,46% para 0,50%).