Brava (BRAV3): depois da turbulência, ação terá melhores dias na Bolsa em 2025?

Reta final de 2024 e início de 2025 foram de bons desdobramentos para companhia em termos de produção; Genial e BBI reiteraram recomendação de compra

Felipe Moreira

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A reta final de 2024 e o início do ano de 2025 foram movimentados para a Brava Energia (BRAV3), após um período de baixa no último trimestre do ano, logo quando houve a união entre 3R e Enauta, que levou à mudança de nome para Brava e de ticker para BRAV3.

Entre 9 e 20 de setembro de 2024, os papéis chegaram a cair cerca de 20%, com os investidores céticos sobre a operacionalização da companhia. Preocupações sobre o atraso na operação de Atlanta e sobre endividamento estiveram no radar.

Contudo, desde então, alguns desdobramentos positivos foram dados pela companhia e aumentaram a confiança dos analistas de mercado que mantiveram recomendação de compra para os papéis BRAV3, mesmo nos períodos mais turbulentos.

Viva do lucro de grandes empresas

No apagar das luzes de 2024, a petroleira anunciou que: (i) a produção foi reiniciada no campo Papa-Terra, e (ii) a ANP autorizou o início das operações no FPSO Atlanta.

O Bradesco BBI ressaltou na ocasião que esses dois anúncios eram os principais direcionadores para a Brava no curto prazo.

O banco apontou esperar que o Papa-Terra contribuísse com 15 a 17 kbpd (mil barris por dia) e que Atlanta adicionasse 20 a 25 kbpd inicialmente, aumentando para um pico de 40 a 50 kbpd durante 2025 (produção estimada).

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Em termos de geração de fluxo de caixa, o banco espera que ambos os ativos combinados se traduzam em FCFE (fluxo de caixa livre ao acionista) de US$ 400 milhões em 2025, o que deve ajudar a reduzir materialmente a alavancagem da empresa.

Já no início de 2025, a Brava prestou esclarecimentos sobre uma notícia de que a companhia dobrou sua produção com surpresas neste campo de Atlanta. A companhia esclareceu que os dois novos poços em produção ainda estão em processo de estabilização e registraram produção aproximada de 23 mil barris de óleo equivalente nas últimas 24 horas (conforme comunicado da manhã desta terça), em linha com as expectativas da companhia e a conexão dos quatro poços remanescentes em Atlanta, os quais produziram anteriormente através do FPSO Petrojarl, ocorrerá em duas etapas.

A primeira (poços 4H e 5H) tem previsão de término no final do primeiro trimestre de 2025 e a segunda (poços 2H e 3H) tem previsão de término no final do segundo trimestre de 2025.

Em meio ao fluxo intenso de notícias relacionadas à entrada operacional da FPSO Atlanta e ao retorno operacional de Papa-Terra traz, a Genial Investimentos reiterou recomendação de compra, uma vez que reduzem o risco do endividamento da empresa impactar negativamente a tese de investimento.

Segundo a Genial, os próximos pontos a serem acompanhados dizem respeito a: (i) eventual venda do Polo Potiguar; (ii) estabilização e respectivo ramp-up da produção (principalmente de Papa-Terra); e (iii) possíveis distribuições de dividendos.

Os analistas da casa também comentam que após muitas decepções, o mês passado trouxe boas surpresas para os investidores da Brava. Além do retorno operacional do Campo de Papa-Terra (cerca de 15 mil barris por dia equivalentes – bpde) e da entrada em operação do FPSO Atlanta (cerca de 20 mil bpde), também esteve a) conclusão da aquisição de uma participação de 20% no Parque das Conchas (cerca de 6,2 mil bpde, ajustados pela participação adquirida).

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Dessa forma, a Genial projeta uma produção diária superior a 70 mil bpde para a empresa a partir de janeiro de 2025, considerando óleo e gás. Levando em conta uma produção média de 80 mil bpde, um preço do Brent para 2025 de US$ 74 e um câmbio de R$ 6,00, estima um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2025 de pelo menos R$ 7,8 bilhões. Sob premissas conservadoras, analistas acreditam que esse nível de Ebitda deve ser suficiente para manter a dívida da empresa dentro dos seus covenants.

Com a empresa entrando em 2025 com uma produção de aproximadamente 80 mil bpde, a Maha projeta a produção alcançando 100 mil bpde como premissa básica para distribuir entre 2,3 vezes e 3,1 vezes seu valor de mercado. Como “novidade” a essa premissa, a Genial destaca o recente fluxo de notícias relacionadas à venda do Polo Potiguar por um valor estimado em US$ 2,0 bilhões, em um momento em que a totalidade da Brava está avaliada em US$ 1,8 bilhões.

Assim como a Genial, o BBI também possui recomendação equivalente à compra para BRAV3, com preço-alvo de R$ 32. O Goldman Sachs, por sua vez, segue com recomendação neutra para a ação e preço-alvo R$ 29,20 para os papéis.