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O procurador-geral da República da Venezuela, Tarek William Saab, criticou em público nesta quinta-feira (5) a carta que o advogado do ex-candidato à presidência Edmundo González Urrutia entregou ontem ao Ministério Público pedindo a presunção de inocência no processo movido contra ele.
“Se ele é inocente, por que não compareceu à primeira, segunda e terceira convocações?”, indagou o procurador em coletiva de imprensa, segundo informações do jornal El Universal.
Para Saab, González tentou abrir um precedente negativo ao não comparecer perante o Ministério Público, onde foi convocado para testemunhar. Segundo ele, a carta do ex-candidato supõe que há “venezuelanos de super primeira classe acima dos outros e os 99,99% restantes são não sei em que classe eles estão”. Qualquer um pode ser convocado aqui”, avisou.
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No entanto, ele acrescentou que o encontro com o advogado José Vicente Haro na tarde da última quarta-feira foi institucional e respeitoso.
Saab também mencionou que o Ministério Público abriu uma investigação criminal contra pessoas que ameaçaram o promotor que lidera a investigação de Edmundo González. “Temos a experiência de 400 mensagens, incluindo e-mails e mensagens de WhatsApp. Quem são eles para fazer isso? É bom mencionar, eles escalaram para lançar uma cascata de ameaças, mas aqui ninguém desiste e não há medo”, acrescentou.
Sobre o fato de González Urrutia dizer que não tem responsabilidade sobre a criação do site que mostrou atas eleitorais apontando sua vitória, o procurador foi direto: “Ele validou aquele site falso e fora da lei”, disse.
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Por esse motivo, segundo Saab, González Urrutia está sendo investigado pelos crimes de usurpação de funções, falsificação de documento público, instigação à desobediência às leis, sabotagem de danos aos sistemas, associação e conspiração.
O desconhecimento dos resultados causado por González, segundo o promotor, foi o que provocou atos violentos no país nos dias após a eleição. “Eles sonham, rezam dia e noite, para que na Venezuela haja simultaneamente uma espécie de revolta popular de todas as colinas, milhões de pessoas, combinada com um golpe de Estado (…), mas isso não aconteceu”, disse o promotor.
Ele afirmou ainda que que os 27 mortos e 190 feridos, bem como os ataques a propriedades do Estado, centros educacionais e de saúde, “atos violentos promovidos pela direita”, não podem ser aceitos.
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Saab ainda descreveu como “uma zombaria a mentira que pretendiam promover perante a comunidade nacional e internacional”.