Embraer: estrela do Ibovespa no 1º semestre e com possível gatilho para ação em julho

Com alta de mais de 70% das ações no acumulado do ano, Embraer começa segundo semestre com a feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra

Lara Rizério

Publicidade

“Super tese”, quebrando duopólios, ânimo com novos contratos. Em um semestre negativo para o Ibovespa, com o benchmark da Bolsa caindo mais de 7%, o grande destaque positivo para o índice ficou com as ações da Embraer (EMBR3), caminhando para fechar a primeira metade de 2024 com alta superior a 71%.

Em março, de forma emblemática, diversas casas passaram a revisar bem para cima os números da companhia. Em destaque na ocasião, o Morgan Stanley dobrou o preço-alvo para os ADRs (recibo de ações negociados na Bolsa americana) da companhia. O preço-alvo foi de US$ 19,50 para US$ 40,00 (elevação do target em 105%), com os analistas destacando a empresa “como o terceiro player no mercado de aeronaves comerciais, ganhando espaço e possivelmente quebrando o duopólio de Boeing e Airbus”. JPMorgan e Goldman Sachs seguiram o ânimo com os papéis da fabricante de aviões.

Já neste mês de junho, a companhia anunciou ainda encomenda de 20 jatos E2 feita pela companhia Mexicana de Aviación, abrindo um novo mercado para seus jatos comerciais de próxima geração e aumentando sua carteira de pedidos firmes em relação ao pico de sete anos de US$ 21,1 bilhões atingido em março.

Viva do lucro de grandes empresas

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de crescimento para os próximos meses e anos

Na última quarta-feira, a companhia entregou a segunda aeronave multimissão KC-390 para a Força Aérea Portuguesa (FAP). Essa é a segunda entrega de uma encomenda de cinco aeronaves feitas pela FAP em 2019, incluindo um pacote abrangente de serviços e suporte e um simulador de voo. A primeira aeronave entrou em serviço em outubro de 2023 na Base Aérea de Beja.

A disparada das ações da Embraer com o aumento na carteira, revisões positivas para os ativos e mais recentemente com o avanço do dólar (a Embraer tem 93% de suas vendas em dólares e 83% de seus custos na divisa) levou parte do mercado a analisar se ainda havia fôlego para os papéis subirem mais.

Continua depois da publicidade

No fim de maio, a XP Investimentos cortou a recomendação para EMBR3 de compra para neutra. Embora espere que a fabricante de jatos colha frutos de melhorias no retorno sobre capital investidos (ROIC) e entre em um ”período de colheita” de Fluxo de Caixa Livre nos próximos anos, a assimetria de valor foi apontada como a razão por trás do rebaixamento.

O Itaú BBA, por sua vez, ressaltou acreditar que a fabricante de aviões ainda possui um potencial de alta atrativo na Bolsa, reiterando compra. O banco espera que continuem a chegar novas encomendas comerciais, uma vez que os principais concorrentes enfrentam estrangulamentos, e a rentabilidade continue melhorando, pois a indústria poderá aumentar os preços. Já em meados de junho, JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 51, uma vez que a empresa deve continuar se beneficiando do momento positivo dos jatos executivos, que atualmente representam cerca de 35% do seu Ebit (lucro antes de juros).

Próximo gatilho?

É neste cenário que acontece, entre os dias 22 e 26 de julho, a feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra. Nela, os fabricantes de aviões costumam anunciar o recebimento de grandes encomendas. No ano passado, os investidores ficaram decepcionados com os fracos números de pedidos anunciados pela Embraer durante a Paris Airshow – assim, os contratos fechados pela companhia serão monitorados bem de perto pelos investidores.

Em relatório, o Bradesco BBI ressaltou o que o mercado espera para a Embraer na feira inglesa ao fazer um levantamento com um total de 20 investidores institucionais (45% detentores de ações).

De acordo com as estimativas do banco, a Embraer tem anunciado historicamente cerca de 40% dos pedidos para a aviação comercial durante os Farnborough e Paris -Le Bourget Airshows. O seu levantamento mostrou que os investidores esperam que a Embraer receba 12 pedidos de jatos comerciais durante esse evento, em linha com as 13 unidades anunciadas pela empresa no Paris -Le Bourget Airshow do ano passado. “Observamos que, embora os pedidos de um determinado ano estejam concentrados no airshow anual, este ano a Embraer já anunciou 110 pedidos de aeronaves comerciais (90 da American Airlines e 20 da Mexicana de Aviacion), portanto, esperamos uma reação neutra do mercado, mesmo que haja cerca de 10 pedidos”, avalia o BBI.

Com base nos 110 pedidos no acumulado do ano, o índice book-to-bill (a proporção de pedidos recebidos em relação às unidades enviadas e faturadas em um período específico) da Embraer está em 1,4 vez, o que, assumindo os 12 pedidos potenciais do buyside no airshow, aumentaria para 1,6 vez.

Continua depois da publicidade

“Somos mais construtivos e esperamos que a Embraer anuncie pedidos firmes para mais 20 Ejets, aumentando o índice book-to-bill para 1,7 vez”, avalia. Enquanto isso, os investidores esperam, em média, que a Embraer receba 2 novos pedidos de C-390 na feira, mas a maioria (65%) dos investidores, na verdade, espera zero novos pedidos. Normalmente, os pedidos para a divisão de defesa não são anunciados durante a feira.

O BBI segue vendo fatores positivos para o segmento de defesa da Embraer, com possíveis novos pedidos vindos da Índia (aproximadamente 40-80) e da Arábia Saudita (cerca de 30), o que poderia adicionar por volta de R$ 8,00 por papel EMBR3.

A Embraer também poderia anunciar contratos de serviços, especialmente após a expansão da capacidade em sua unidade de MRO em Portugal, concluída no início de 2024. Assim, o banco mantém a Embraer como uma de suas Top Picks (preferidas) em sua cobertura, com uma recomendação de Compra e um preço-alvo de R$ 38,00 para o ano de 2024.

Continua depois da publicidade

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.